Freguesia Mar
Património
IGREJA VELHA
A Igreja Velha foi, durante séculos, a igreja matriz e paroquial da freguesia de Mar, dedicada a São Bartolomeu. Não existem registos que permitam datar com precisão a sua construção inicial, nem referências à existência de templos anteriores no mesmo local. Presume-se, contudo, que se trataria de uma pequena igreja edificada antes do século XVI.
Após esse período, a Igreja Velha de Mar foi alvo de ampliações. No século XVIII, uma dessas intervenções permitiu a reutilização de materiais pertencentes ao templo primitivo. Ainda hoje é possível identificar alguns desses elementos no interior do edifício, nomeadamente uma pedra escavada em forma de pia, situada no lado norte, bem como duas cruzes gravadas na parede sul.

O edifício apresenta uma planta basilical em cruz latina, com capela-mor. Na fachada principal destacam-se duas impostas corridas: uma que assinala o nível do coro alto e outra situada a uma cota superior. Ao centro, entre a porta principal e a cornija, encontra-se uma janela cruciforme, enquadrando uma rosácea que assegura a iluminação do corpo da igreja.
Na parte superior do templo ergue-se uma sineira com um único sino. Registos históricos indicam que, em 1895, existiam dois sinos, bem como escadas de acesso à torre, construídas nesse mesmo ano e posteriormente removidas durante as remodelações realizadas em 1954.
Em 1950, a igreja encontrava-se em avançado estado de ruína. Este processo de degradação teve início após a construção da Igreja Nova, tendo o edifício sido progressivamente abandonado com a conclusão da mesma.
Perante este cenário, um grupo de conterrâneos, inconformado com o estado de abandono do templo, promoveu a sua reconstrução. Concluídos os trabalhos, a igreja foi reinaugurada e reaberta ao culto no dia 23 de agosto de 1954. Nessa ocasião, o pároco da freguesia comprometeu-se a celebrar, a partir de então, a missa do dia 24 de cada mês na Igreja Antiga. Desde essa data, o edifício tem sido alvo de intervenções de conservação.
CEMITÉRIO
Até ao ano de 1886, os enterramentos realizavam-se no interior da Igreja Velha e no respetivo adro. Contudo, por imposições de ordem sanitária, tornou-se necessária a construção de um cemitério próprio.
O Cemitério de Mar foi edificado em 1886, tendo sido ampliado em 1997 e novamente em 2025. Encontra-se localizado junto à Estrada Nacional, a poucos metros da Igreja Paroquial, servindo desde então a comunidade local.

IGREJA PAROQUIAL
Dedicada a São Bartolomeu, a construção da atual igreja teve início em 1906, com a colocação da primeira pedra no dia 23 de agosto desse ano.
A obra ficou concluída em 1912, tendo a igreja sido inaugurada em maio de 1914.
A igreja tem sido alvo de diversos melhoramentos desde 1974.
Atualmente, a capela-mor dispõe de um altar-mor com sacrário e duas imagens, uma de São Bartolomeu e outra de São Pedro. No corpo da igreja existem ainda quatro altares.

A igreja tem sido alvo de diversos melhoramentos desde 1974.
Atualmente, a capela-mor dispõe de um altar-mor com sacrário e duas imagens, uma de São Bartolomeu e outra de São Pedro. No corpo da igreja existem ainda quatro altares.
CRUZEIRO PAROQUIAL
O Cruzeiro Paroquial encontrava-se originalmente localizado junto ao adro da Igreja Velha e à Fonte das Quatro Bicas. Contudo, em 1914, aquando da construção da Igreja Nova, foi transferido para o local onde atualmente se encontra, na Rua do Cruzeiro, junto à Estrada Nacional. No cruzeiro encontra-se gravada a data de 1914.

MENIR
Popularmente designado por “Padrão”, este monumento mede cerca de 2,10 metros acima do solo e encontra-se implantado numa área que, em tempos, correspondeu à linha de costa, situando-se atualmente atrás da Igreja Paroquial.
A sua cronologia remonta ao III/II milénio a.C., permanecendo ainda por esclarecer o seu significado simbólico e funcional. Em 1992, foi classificado como património protegido pelo IPPAR, reconhecendo-se o seu relevante valor histórico e arqueológico.

FONTE DAS QUATRO BICAS
Situada nas proximidades da Igreja Velha, a Fonte das Quatro Bicas, também conhecida como Fonte de São Bartolomeu, foi tradicionalmente utilizada como lavadouro público.
Em 2004, foi alvo de obras de restauro e encontra-se, atualmente, novamente ao serviço da população.

CALVÁRIO
No Calvário existem atualmente três cruzes que não correspondem às primitivas, uma vez que estas foram destruídas em 1950, na sequência de uma tentativa de ocupação do espaço

CRUZEIRO DA PRAIA
O Cruzeiro da Praia data de 1987 e encontra-se implantado na duna do Rego.

[AA.VV. (2005) – Memórias de São Bartolomeu do Mar – Volume II. Edição do Centro Social da Juventude de Mar]
[NEIVA SOARES, Franquelim (2001) – Memórias S. Bartolomeu do Mar. Edição do autor]
Festas e Romarias:
FESTA EM HONRA DE S. BARTOLOMEU
Todos os anos, a 24 de agosto, realiza-se a Romaria de São Bartolomeu do Mar, padroeiro da freguesia.
A origem desta tradição remonta ao século XVI, concretamente ao ano de 1566. No dia da romaria, é costume os fiéis transportarem um frango preto (galinha ou pinto) ao colo, dando três voltas à igreja e passando, igualmente por três vezes, sob o andor.
Após os momentos religiosos, os romeiros dirigem-se à praia para cumprir o ritual do chamado Banho Santo, que consiste em “furar” as ondas um número ímpar de vezes — três, cinco, sete ou nove.
O Banho Santo constitui um dos pontos altos da romaria, atraindo anualmente um elevado número de participantes, apesar do frio e da baixa temperatura da água do mar.
Segundo a tradição popular, o mergulho das crianças nestas águas é considerado benéfico, sendo-lhe atribuídas propriedades de cura para diversos males, como medos, gaguez, epilepsia ou gota. A crença determina que este ritual deve ser realizado antes de as crianças completarem sete anos de idade.
Esta prática tem origem numa antiga lenda que refere que, no dia 24 de agosto, o diabo anda à solta, regressando ao mar apenas ao anoitecer. Deste modo, as crianças são levadas ao mar durante o dia, de forma a beneficiar das consideradas “águas puras”.
A missa solene é celebrada pelas 11h00. Durante a tarde, realiza-se o agradecimento ao Santo, através de uma procissão considerada uma das mais imponentes do Norte de Portugal. Apesar de o percurso ser relativamente curto — menos de dois quilómetros, entre a igreja e a praia, com regresso —, a procissão tem a duração aproximada de duas a três horas e integra centenas de figurantes, que reconstituem episódios bíblicos, bem como andores de grande porte.

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